Combater a crise...


Todos - mas todos, devemos estar preparados para enfrentar, mas também para combater, a crise financeira e económica.

E não só para a enfrentar e combater, mas também para a vencer, a ultrapassar.

A proposta de orçamento para 2011 que o governo apresentou ao Parlamento, deveria conter linhas fortes de combate ao deficit e simultâneamente estimular o crescimento. Mas não. E ficou muito pobre, muito aquém das suas responsabilidades.

Ao aumentar o Iva cegamente, o governo refreia o consumo interno - já prejudicado pelos baixos salários, o desemprego, a baixa qualificação da mão-de-obra -, empobrecendo ainda mais a classe média, e desprotegendo as classes mais pobres da sociedade.

Ao mexer no Iva - como fez -, o governo deveria ter preocupações de justiça social e de crescimento da nossa economia.

Não é tributando, às "cegas" o óleo (como mero exemplo) abundantemente usado nas cozinhas dos portugueses de baixos rendimentos, que se favorece o crescimento e se apoia quem precisa.

O governo deveria, a meu ver, apoiar e apostar na produção nacional, quer para consumo interno, quer para exportação, e deveria "dificultar", através da tributação (utilizando por exemplo o Iva) os produtos e bens importados.

Nem precisaria de aumentar a taxa, como fez passando de 21 para 23 por cento, mas somente preceder a uma nova arrumação das listas já existentes. E se tivesse que aumentar, como fez, que tributasse a taxas mínimas ou médias os produtos e bens nacionais (como por exemplo a alimentação e o turismo) e pesasse mais nos produtos importados.

Achamos que deste modo, o governo contribuiria mais para a justiça social e para o crescimento.

Na verdade, a produção de produtos e bens nacionais, além de favorecerem as classes menos favorecidas (a bom rigor são elas que os consomem mais) reforça o crescimento e favorece o emprego. Foi isso que outros países fizeram e deram-se bem com a receita.

Na balança cabem sempre dois pratos: o das importações e o das exportações. Favorecendo a produção nacional, a economia cresce e as exportações também, enquanto que, o país torna-se mais autónomo, ficando menos dependente, e da necessidade de recorrer ás importações.

Quanto menos importações e mais exportações se verificarem, melhor para a nossa economia.

Não é tributando à taxa máxima o óleo, as bolachas, as compotas, as conservas e outros enlatados (para só dar estes pequenos exemplos) - cem por cento produção nacional e de consumo "quase obrigatório" por quem ganha pouco ou quase nada... que se defende o regime e estado social...

Mais haveria que dizer sobre o orçamento e a crise, mas fiquemo-nos agora por aqui.